Gambiologia, a ciência da gambiarra
Gambiologia foi um coletivo de arte formado em Belo Horizonte por Fred Paulino, Lucas Mafra e Paulo Henrique Pessoa (Ganso), que atuou entre 2008 e 2015. O trabalho do grupo propunha um diálogo entre a tradição brasileira de improvisação e a arte eletrônica. As obras realizadas compõem-se de artefatos eletrônicos multifuncionais, esculturas e objetos decorativos.

O coletivo também organizou exposições, publicações, oficinas e participou de dezenas de mostras e festivais de arte no Brasil e exterior, tendo recebido Menção Honrosa no Prix Ars Electronica (Áustria), um dos mais tradicionais festivais do mundo.

Gambiologia funciona agora como uma plataforma criativa com atuação aperiódica, realizando projetos como a revista Facta e a exposição Gambiólogos. Os três membros permanecem atuando nas áreas de arte e design, de maneira independente.

“Gambiarra is a word that only exists in Brazilian Portuguese. It indicates informal uses and technological solutions to everyday life and infrastructure problems. (...) The Gambiologia Collective transforms this repertoire into a science of combat. It promotes workshops, urban interventions, debates and exhibitions that stimulate the use and the reinvention of obsolete, broken or discarded devices. The jury recocgnizes its work and action methodology, directed at the critical and creative use of media, and decided to award Gambiologia as a process and strategy rather than as specific artworks.”
Prix Ars Electronica 201 - Statement do júri
“Gambiologia é um trabalho de construção de eletrônicos com sotaque antropofágico. Por meio de aparelhos reciclados, traz um novo significado para o contexto tecnológico, ao assumir uma postura de recontextualização criativa de materiais normalmente entendidos como refugo.
A elaboração de artefatos de maneira improvisada retrata a espontaneidade do cotidiano das metrópoles e propõe uma reflexão sobre a perecibilidade, deteorabilidade e reinvenção da tecnologia, em um contexto em que o excesso de objetos fora de uso acumulados sobre a superfície do globo é uma questão crucial.”
Marcus Bastos - Artista e pesquisador
“Em época em que somos compelidos pela sedução incessante do consumo a estar sempre atualizados tecnologicamente, a gastar o dinheiro com o último lançamento de aparelhos que já temos, a estar up-to-date com as novas linguagens, em suma, no afã de possuirmos símbolos e canais de exibição de certa afetação de contemporaneidade, o sequestro semântico dos gambiólogos é marca de posição e reforça a práxis política de enfrentamento ao massacre da abundância de tecnologias fugazes. Os artistas que desenvolvem projetos em gambiarras procuram questionar a produção massificada de novos dispositivos e tecnologias que já não possuem obsolescência apenas programada, mas também desejada.”
Paulo Faltay Filho - Pesquisador PUC-SP
“O espírito gambiológico está mais na atitude de enxergar o mundo como repleto de recursos interpretáveis de múltiplas formas do que nas escolhas específicas de cada obra. A gambiarra está associada ao tipo de adaptabilidade que em última instância nos faz humanos.”
Felipe Fonseca - Pesquisador, coordenador da Rede Metareciclagem