Gambiologia é um projeto originário de Belo Horizonte, Brasil, que desde 2008 propõe iniciativas que exploram peculiaridades da cultura brasileira no contexto eletrônico, especialmente relacionadas à tradição da “gambiarra”.

Até 2015, Gambiologia atuou como um coletivo artístico formado por Fred Paulino, Ganso (in memorian) e Lucas Mafra. Desde então, o projeto apresenta-se como uma plataforma independente de criação e reflexão em arte e tecnologia, com colaboradores em vários países. Atualmente, sua linha de atuação transita entre um ateliê de invenções e uma produtora cultural, com três focos principais de trabalho: produção (exposições e publicações de artes visuais), educação (oficinas e metodologias) e inovação (palestras, consultorias e desenvolvimento de produtos).

Entre suas realizações de maior destaque estão as exposições “Gambiólogos / Maquinações” (2010, 2014 e 2018) e a “Facta – revista de Gambiologia” (desde 2011, atualmente em sua quinta edição). O projeto tem sido destaque em dezenas de mostras e festivais de arte no Brasil e exterior e recebeu Menção Honrosa no Prix Ars Electronica (Áustria), um dos mais tradicionais festivais do mundo.

“Gambiarra is a word that only exists in Brazilian Portuguese. It indicates informal uses and technological solutions to everyday life and infrastructure problems. (…) The Gambiologia Collective transforms this repertoire into a science of combat. It promotes workshops, urban interventions, debates and exhibitions that stimulate the use and the reinvention of obsolete, broken or discarded devices. The jury recocgnizes its work and action methodology, directed at the critical and creative use of media, and decided to award Gambiologia as a process and strategy rather than as specific artworks.”

Prix Ars Electronica 2011 – Statement do júri

“Em época em que somos compelidos pela sedução incessante do consumo a estar sempre atualizados tecnologicamente, a gastar o dinheiro com o último lançamento de aparelhos que já temos, a estar up-to-date com as novas linguagens, em suma, no afã de possuirmos símbolos e canais de exibição de certa afetação de contemporaneidade, o sequestro semântico dos gambiólogos é marca de posição e reforça a práxis política de enfrentamento ao massacre da abundância de tecnologias fugazes. Os artistas que desenvolvem projetos em gambiarras procuram questionar a produção massificada de novos dispositivos e tecnologias que já não possuem obsolescência apenas programada, mas também desejada.”

Paulo Faltay Filho – Pesquisador PUC-SP

“Gambiologia é um trabalho de construção de eletrônicos com sotaque antropofágico. Por meio de aparelhos reciclados, traz um novo significado para o contexto tecnológico, ao assumir uma postura de recontextualização criativa de materiais normalmente entendidos como refugo. A elaboração de artefatos de maneira improvisada retrata a espontaneidade do cotidiano das metrópoles e propõe uma reflexão sobre a perecibilidade, deteorabilidade e reinvenção da tecnologia, em um contexto em que o excesso de objetos fora de uso acumulados sobre a superfície do globo é uma questão crucial.”

Marcus Bastos – Artista e pesquisador

“O espírito gambiológico está mais na atitude de enxergar o mundo como repleto de recursos interpretáveis de múltiplas formas do que nas escolhas específicas de cada obra. A gambiarra está associada ao tipo de adaptabilidade que em última instância nos faz humanos.”

Felipe Fonseca – Pesquisador, coordenador da Rede Metareciclagem