MAQUINAÇÕES SP

Artistas, máquinas e a invenção do cotidiano

Terceira edição da coletiva Maquinações (Gambiólogos 3.2), a exposição propõe uma reflexão sobre a criação e uso de máquinas por artistas. Os participantes são criadores de engenhocas não-necessariamente funcionais e atuam na intersecção entre arte, ciência, tecnologia e vida.

Curadoria: Fred Paulino

Local: Sesc Carmo – São Paulo
Data: 23/11/2018 a 15/02/2019

Artistas participantes


Abraham Palatnik • Azucena Losana • Daniel Herthel • Ganso • Guto Lacaz • Juliana Porfírio & Neville D’Almeida • Maurizio Zelada • Milton Marques • Motta & Lima • Paulo Nenflídio • Peter Fischli & David Weiss • Sara Lana • Zaven Paré

ARTISTAS, MÁQUINAS E A INVENÇÃO DO COTIDIANO

Até meados dos anos 1980, a criação em arte eletrônica era baseada em trabalhos que operavam sobre plataformas analógicas – desde os televisores, antenas e suas transmissões até as mídias analógicas de gravação, como as fitas cassete ou Betamax.

A partir da década de 1990, essa produção passa a operar majoritariamente sobre o ambiente digital. A digitalização do audiovisual, junto à universalização dos computadores e do acesso à internet, fazem migrar essa produção quase integralmente para o mundo binário e, mais recentemente, para o ambiente da computação móvel.

No entanto, em pleno 2018, após o boom da internet e em meio ao caos das redes sociais, há artistas que, mesmo incorporando a tecnologia em seus trabalhos, têm demonstrado um interesse cada vez maior no uso de soluções analógicas, mecânicas, improvisadas e de baixo custo. São criadores que desenvolvem obras tecnológicas em ambiente offline, não algorítmico, “desvirtual”. Não abrem mão de atuar sobre os aparatos técnicos (e jogar com os mesmos), mas propõem novas possibilidades sobre o seu uso, muitas vezes subvertendo a própria função dos componentes originais. De certa maneira, eles apostam na interação, e não na interatividade, e, com isso, sugerem uma lida mais humana com a tecnologia.

Esses “inventistas” atuam na interseção entre arte, ciência, tecnologia e vida. Transformam seus ateliês em oficinas, suas oficinas em laboratórios, seus laboratórios em extensão do seu viver. A partir da (des)construção de engenhocas, sistemas inexatos, traquitanas com ou sem utilidade, eles estimulam a simbiose humana com a técnica e apresentam uma arte sem manual de instruções. Propõem maquinações peculiares sobre o meio artístico e o universo tecnológico. Relacionam a sua prática criativa com o lúdico, com a educação, com o social, com a invenção, com as mãos na massa e os pés no chão. Atuam sobre as máquinas para transformar as máquinas em ações.

FRED PAULINO

Idealização e curadoria: Fred Paulino
Produção executiva: Gabriela Carvalho
Produção: Eloá Mata
Produção local: Marina Jovanelo
Assistente de produção: Esther Azevedo
Projeto expográfico: Paulo Waisberg e Clarissa Neves
Montagem cenográfica: Marcos Lustosa
Cenotécnicos: Fernando Libânio e Richard Carvalho
Iluminação: MMV Montagem e Vídeo
Projeto gráfico: Xande Perocco